sábado, fevereiro 09, 2008

Cidade

Cidade, rumor e vaivem sem paz das ruas
Ó vida suja, hostil, inultilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planices mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.



In: ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra poética I

3 comentários:

Anónimo disse...

convém dizer, que nesta altura, Sophia morava na Amadora...


que ela me perdoe...
prometo penitenciar-me

4cA

Anónimo disse...

Alguém me disse, estou a tentar lembrar-me quem, que no Primeiro dia do Ano Bom deixarias de ser uma "serva do vício" do tabaco, bem entendido.Continuo a tentar lembrar de quem tal me disse...Terá sido TU?
Tens uma semana para aprenentar a tua defesa.

Cá eu que só os acendia, para poupar esse trabalho aos ditos fumadores, agora só não os como porque Deus acode.

E. Raposo disse...

Ainda bem que tenho uma semana para isso.
A verdade é que tenho andado a tentar deixar este "vício bom" e pelo adjectivo pode-se entender que estar a ser, assim, assim, muito difícil.

Um dia ainda explico porque obtei fazer o desmame e não cortar abruptamente com este "vício bom".