segunda-feira, agosto 27, 2007

...

Sente o cheiro da noite...
sob o seu manto negro de silêncio,
a brisa que passa dir-te-á que te penso,
que a tua ausência me incomoda,
que o teu sorriso me falta
sem que eu perceba a razão de tudo isso...

...

Agora que o sol não está,
e que o estado das coisas se imprecisa,
a tua ausencia toma corpo
por entre os aromas das flores...
Onde o sorriso?
Onde o beijo da ave mansa
prometido a contra-luz?
Onde tu...

A coisa do título... fica para a próxima.

Tenho andado a colocar por aqui alguma poesia.
Sei que alguns se interrogam por tal facto estar a acontecer, também sei que outros nem colocam qualquer questão.
A verdade é que fiz as pazes com a poesia, não são umas “pazes” recentes (isso não são), contudo, tenho de admitir que é aquela coisa de “[...] Tive a coragem de aceitar as nossas diferenças e passei adiante.” ( in: TONRA, Mark; James; Lisboa; Gradiva, 2002).
No entanto, essa coisa da aceitação acarreta, por si só, um leve sentimento de culpa, devido aos anos de negação, e este sentimento está plasmado (como é bem visível) pela “postagem” (essa coisa da gíria bloguista intriga-me, tenho de admitir) de alguns poemas de minha eleição.
Todavia, e atendendo ao facto de estar a tornar públicas aquelas “pazes”, as tais “postagens” poéticas tenderão a desaparecer.

A ver vamos.

sábado, agosto 25, 2007

El Cristo

Há horas em que a nossa comoção
Nos brota, cá dentro, como sangue
Duma facada. E tinge de vermelho
O verbo dos Profetas.
E el Cristo Rojo resplandece,
De pé, transfigurado,
Sobre um penhasco asturiano
Ou do Tabor...

PASCOAES, Teixeira de; Últimos Versos, p. 62

Foto in: www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910a.html

terça-feira, agosto 21, 2007

Trapo

"O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.

Anticipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

Bem sei: a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros - isso tenho eu em mim.
[...]"


Álvaro de Campos

domingo, agosto 19, 2007

E não tem nada a ver...

Andei a pensar um pouco sobre o Homem, a natureza humana, a origem, a espécie, as variantes da espécie (os azuis escuros e os azuis claros), o comportamento, a cultura e o meio, as crenças e suas formas de expressão, entre tantos outros aspectos. Tudo isto envolto de uma neblina, um pouco até, celestial.

Aquela minha forma de olhar o Homem tornou-se então clara, obvia, e acima de tudo ainda mais interiorizada.

(Convém esclarecer que olho o Homem sempre como algo bom, positivo, criado para o bem e, como tal, propulsor do mesmo)

No entanto, é necessário salientar que o tal lado perverso, mesquinho e mau do Homem é também por mim conhecido. Assim, e consciente de tal facto, por vezes sinto vontade de “abanar” tais mentes cristalizadas, empobrecidas, empoeiradas e gastas pelo não uso do intelecto.

Lá parto eu numa epopeia angustiante, numa viagem desgastante, na tentativa de tentar mudar algo. Muitas vezes aporto meu bote num pequeno cais, e, cansada, sinto saudades de “casa”, com vontade de deixar ali os remos e regressar de avião (sim, que este meio é mais rápido que o bote. Felcom, para que fui eu de bote?).

Porém, não desisto. Tento mais uma vez, e mais uma vez e, ainda, mais uma vez (na vã ambição de algo poder ser diferente).

Contudo, o dia chega que me faz cair por terra, deixar o bote, abandonar os remos, comprar o bilhete de avião e tomar o voo com menos escalas de regresso a casa.

Desisti?

Fracassei?

Era vã a minha ambição?

Não. Apenas precisei encontrar novamente o conforto, a simplicidade, a clareza das ideias.

quarta-feira, agosto 15, 2007

E não me apetece colocar título...

Ultimamente tenho andado a pensar, e a pensar mesmo muito, tanto que até acho que explodiu algo dentro desta “cabecita loira” (c’o caneco!).

Facto é que tenho dado por mim num incessante acto introspectivo, em que a abundância dos assuntos sucede-se à velocidade da luz. (c’o caneco, já não bastava serem muitos para também serem velozes.)

Claro que não será necessário dizer que fico danada, meia endrominada e com um humor dos diabos (que diga o contrário quem quiser, porém alerto que deverão medir e considerar bem os riscos).

E era suposto escrever mais, não era?

Fica essa sensação, não fica?

Vá, é colocar aqui o endereço electrónico que darei conta do final de forma personalizada.

Sou mesmo tão querida.

segunda-feira, agosto 13, 2007

EM MANUTENÇÃO
(Espero ser breve)

terça-feira, julho 31, 2007

sábado, julho 21, 2007

Vindimas...

O ar de sabor a vindimas faz e fará sempre parte de mim,
impregnava-se-nos na roupa, tudo ali sabia, latejava, gritava vindimas.

Lembro desse ar envolver tudo e todos,
desde o bebé ao mestre idoso da casa.

Lembra o sabor das vindimas
os olhos dos homens e mulheres
trabalhando arduamente sob um sol de Setembro,
enquanto nós miúdos saltitavamos entre eles
nas correrias até à figueira, ou à casa das alfaias.

Lembra o sabor das vindimas
o rosto doce de meu avô, mestre idoso da casa.

Lembra o sabor das vindimas
o olhar azul sereno de minha avó,
a sua caixa de botões,
o cheiro do seu cabelo branco.

Lembra o sabor das vindimas
a imagem de um passado que desejo presente.

sábado, julho 14, 2007

Eu


Sou complicada!? Certo.

E depois!?

Quero lá saber se há quem não goste. Eu sou assim, amo-me assim mesmo.

Claro que entro muitas vezes em conflito comigo mesma. Mas que importa!? Isto é comigo. Quem não gosta é favor deixar na beira, sem estragar, para que quem venha a seguir possa aproveitar (canso-me de dizer isto, mas parece que não levam muito a sério).

Na verdade, sei aceitar estas minhas diferenças. Afinal não me custa assim tanto conviver comigo mesma. Basta tentar.


Vai um xupa-xupa?

Queriam, "né"? Pois eu também.

Riacho

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Foto by eu mesma

sábado, julho 07, 2007

Anoitecer

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Momentos como este fazem-me pensar que tudo pode ser diferente, simples, sem "ses" sem "mas" apenas ali.
Ali para poder contemplar, na mais profunda abertura do ser, a simplicidade do aroma da maresia que transporta os sentidos.

Porto dos Carneiros - 2007
Lagoa
Foto by eu mesma

terça-feira, julho 03, 2007

Estudo sobre o céu

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Por vezes consigo captar estes momentos.

Madeira - 2006

Bem, na verdade, foi mesmo a máquina fotográfica e sem querer.

Foto by: eu mesma

É isso

Estou com gravíssimas dificuldades de concentração naquilo que realmente é essencial.
Ando às voltas e nada.
Possa, mas é mesmo nada.
Nada se passa.
É claro que tenho um sapo verde no meu blog e até gosto dele, é fofo, carinhoso e tem uma paciência enorme (assim como eu). Quanto ao caracol, amo-o. É vê-lo ali quietinho só mexendo as antenas para manter o equilíbrio (persistente como eu).
Parece-me que ter um sapo e um caracol aqui no meu blog passou a fazer todo o sentido.

Já agora, não se esqueçam de salvar o priolo, o cagárro, o canário, o melro negro, as baleias, o sapo, o caracol e bichos afins.
Também queria saber se alguém estaria interessado num gatinho? (Sei de quem gostaria de ter um, mas, Gucci, terás de esperar pelo próximo que se atravessar no teu caminho.)

segunda-feira, julho 02, 2007

"fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."

José Luis Peixoto

sexta-feira, junho 29, 2007

Hoje sinto-me assim

Acabar com momentos introspectivos e já.
Hoje estou que nem posso… Mas é sexta-feira, é suposto sentir-me mais leve, mais qualquer coisa que não sinto.

(Pausa prolongada)

Agora até fiquei preocupada.
Querem ver que eu mudei esta semana?
A verdade é que mudei, mudo um pouco todos os dias. Uns dias sapo, outros dias caracol, outros “sapo/caracol”, se bem que na maior parte dos dias sou “sapo/caracol”. Esta última hipótese é bem mais flexível e ajudará todos aqueles que, diariamente, têm a obrigação de lidar comigo (tenho de lhes aliviara tensão). Este meu lado humanista… bem “C’o caneco” vou passar adiante.

quinta-feira, junho 28, 2007

Goethe


"A mais bela felicidade do homem que pensa é ter explorado o explorável e venerar calmamente o inexplorável."