sexta-feira, abril 04, 2008

terça-feira, abril 01, 2008

Soma

O que o teu amor me dá:

a pérola no centro,
a exacta e pequena pérola
por onde a luz se esvai,
num fechar de olhos,
entre nós.

E o riso tão inesperado
nesse campo de cansaço
em que o repouso
cresce, trazendo a razão
aos braços da loucura.

Os teus olhos onde
os meus mergulham, lago
manso da tarde que
empurramos, à janela,
até o dia inteiro
ser madrugada.

E ver-te acordar, como
o brilho que salta de antigas
colinas e se espalha
por frescos lençóis de
onde te roubo, abrindo
a manhã.


JÚDICE, Nuno, O Estado dos Campos

terça-feira, março 25, 2008

É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, março 13, 2008

Eramos 7 nasceram mais 7 ficamos 14


Hieronymus Bosch, Mesa dos Sete Pecados



Ainda estou a meditar sobre os novos pecados capitais apresentados na orientação do Arcebispo Gianfranco Girotti.

Ora vejamos, éramos 7

1-Gula
2-Luxúria
3-Avareza
4-Ira
5-Soberba
6-Vaidade
7-Preguiça

Eu com estes posso bem, pois até considero-me uma pessoa cumpridora das leis da Igreja, se bem que por vezes salta-me a tampa, mas isso não significa que esteja irada; ou mesmo quando como mais um “cadinho” confesso que não é por gula, é por que deitar ao lixo comida tão boa, enquanto milhares de pessoas passam fome, não seria justo, muito menos correcto.

Está certo, Está certo, gosto bastante de me ver ao espelho, e até nem sou assim tão gira.

Quanto à preguiça que eu sinto é à 2ª feira de manhã, ao que penso, essa não deve contar.



in: http://www.estadao.com.br/geral/not_ger137279,0.htm


Nasceram mais 7 e agora somos 14

8-Violação bioética (controlo da natalidade…)
9-Manipulação genética
10-Uso de drogas
11-Poluição ambiental
12-Desigualdade social
13-Riqueza excessiva
14-Geração de pobreza

Sendo que estes novos encontram o seu fundamento no que afirmam ser o contexto social causado pela Globalização.

Quem deveria ser mandada ao castigo era essa da Globalização. Mania, sempre em frente um passo do restante povinho (sim, porque somos nós - o povinho - que nos dirigimos ao confessionário).

Agora, olhando bem as coisas, está mais que resolvido a questão do confessionário, ora vejamos:

Povo que se confessa, confessa-se pelo menos 1 vez por semana (o que não é bem o meu caso, mas para lá caminharei com essa da poluição ambiental – esta coisa do tabaco está mesmo a complicar-me a vida, já não me bastavam a chuva e o frio).

Com os novos pecados prevê-se um aumento de cerca de 2% da afluência aos confessionários. Contudo alerto para o facto de que esta percentagem é uma previsão meramente pessoal e que a tendência da mesma é para diminuir.



Algo que encontrei e achei delicioso, vejam lá se os fins não justificam os meios:

Lamento

O arcebispo aproveitou para fazer um lamento. Segundo ele, cada vez menos católicos aparecem no confessionário. Estudo da Universidade Católica de Milão mostra que 60% dos fiéis da Itália deixaram de se confessar. O próprio estudo, de certa forma, esclarece este comportamento. Entre os entrevistados 30% acreditam que não há necessidade de um padre como intermediário do perdão divino, e outros 20% se sentem desconfortáveis relatando a terceiros seus próprios pecados. Segundo o arcebispo, a confissão deve ser feita em 15 ou máximo 20 dias antes ou depois de cometer o pecado. Seria a redenção de todos os pecadores.


In: http://www.clicabrasilia.com.br/impresso/noticia.php?edicao=1883&IdCanal=5&IdSubCanal=&IdNoticia=320941&IdTipoNoticia=1

Acedido a 2008/03/13


Eu é que lamento. Lamento ainda mais o facto de poder ser admitido que se possa confessar o pecado 15 a 20 dias ANTES de o cometer (ainda estou na dúvida se li aquilo bem?).

quarta-feira, março 12, 2008

Agradecimento

Paula,
Que me deste Inês
Não a de Castro
Mas a Pedrosa
Numa viagem me mandaste
Em tons de azul e de rosa
De Martim Codax
Como que por magia
Regressei ao tempo
Em que havia
Cortes esplendorosas
Fidalguias
E D. Dinis
Atirou-me
A Afonso X
A Espanha
O Sábio que foi
E que a Maria cantou

A ti Paula
Agradeço
E aqui me confesso
Remetida à poesia

quarta-feira, março 05, 2008

O prometido

Andar na minha cidade é uma aventura, principalmente no que respeita à zona costeira que tanto amo.

Por um lado, as obras da Secretaria Regional da Habitação e Equipamentos que até incomodam muito pouco a circulação por aquele espaço. Claro que terei de habituar a minha visão à nova proposta paisagista, mas nada que me seja impossível de fazer, até porque, por vezes, as mudanças são necessárias.

Entre as máquinas está um golfinho a sorrir para a câmara fotográfica.

Vista interessante (SRHE)

Por outro lado, a intervenção da Câmara Municipal de Ponta Delgada no que chamam de “Parque de estacionamento subterrâneo”.

Se no caso da SRHE a obra sempre esteve aberta a curiosos, já no caso da CMPD isto não aconteceu. Foi preciso muito esforço para conseguir umas imagens sobre o facto em si, e diga-se, apenas do lado que já está quase, quase pronto (isto deixa-me a pensar se aquilo é mesmo verdade ou se é apenas ficção).


Vista superior (CMPD)


Para mais, convém referir que há obras que me atrapalham e outras que nem tanto.

Esta inclinação é para ver se os autocarros começam a passar mais devagar.

Ora vejamos, a nova paisagem oferecida pela SRHE não implicou que eu deixasse de passear as rodas do meu carro pela avenida. Contudo, já as obras da CMPD, para além de me impedirem de passar pela avenida ainda congestionaram a circulação de viaturas na baixa da cidade.

Convenhamos que os percursos alternativos são caóticos, e isto para nem falar dos autocarros que impõem algum respeito, não só pelo tamanho, como também, pela velocidade com que passam por mim.

Estou aqui a pensar como reagiria se tivesse mais de 70 anos e necessitasse de utilizar a minha viatura para me deslocar à baixa. Sim, porque tenho de ir fazer umas análises clínicas, e aproveito gasto a pensão na farmácia mais perto, e porque o meu médico de família tem o consultório naquela rua estreita em que sempre enfio a bengala no empedrado mal colocado, e para aproveitar e levantar a encomenda com os produtos de 1ª necessidade que o meu enteado me manda por correio, que por ter mais de 2kg o carteiro não pode deixar em casa, e que se viesse para entregar ao domicílio seria muito mais caro e o meu enteado optava por não colocar a farinha com a qual faço o pão ao longo do mês.

Mas voltando à avenida. Agradeço à alma caridosa que me enviou algumas fotos sobre este espaço que durante anos foi de eleição para muitos e, penso, que voltará a ser para mais alguns.

segunda-feira, março 03, 2008

Quem sabe?

Confesso que esta é a terceira vez que tento escrever algo para colocar aqui no blog, e que as outras duas tive mesmo de apagar por uma questão de bom senso.

Não sei bem o que se passa, mas parece que me falta algo.

Parece-me que aquela minha falta de jeito anda a querer apoderar-se de mim mais uma vez.

Tenho andado a reflectir um pouco sobre tudo, e, claro, o resultado não poderia ser outro, uma grande confusão. Vá, quem me manda a mim tentar pensar um pouco sobre tudo? (Agora ali no lugar do “mim” provavelmente deveria ter escrito um “eu”, mas deixo isso à consideração de quem lê.)
Já não basta quando penso um pouco sobre um pouco? E mesmo assim parece que endoideço. Quem mandou pensar sobre tudo?

Facto recente é que a rua que atrapalhava o meu percurso diário está quase, mas quase, novamente operacional. Porém, parece que deverá levar mais uns quatro meses só para fazer as passadeiras, e agora estão com a mania de as fazerem em empedrado. Fica giro, é certo, mas estão a demorar um pouco para além da conta, não acham? Talvez quando as recuperações do nosso Museu terminarem as passadeiras já lá estarão. Quem sabe? Talvez.

Estou um pouco cansada de ver esta minha cidade de pernas ao ar. São buracos por todos os lados. Ruas esburacadas, travessas esburacadas, até a avenida está esburacada. (Mas sobre a avenida ficará para mais tarde.)

Não vejo o dia de ter a minha cidade devolta a mim, a nós. (Estava a ser um pouco egoísta.) Já nem consigo lembrar de como era antes e isto não é nada bom. Se tivesse presente essa imagem de antes poderia muito mais facilmente absorver a nova imagem que lhe querem dar.

Agora lembrei de uma música dos Tunídeos:

“Longe de ti não sei viver
Minha pacata cidade
Onde aprendi a crescer
Também a sentir saudade

Dos amores que eu vivi
Nesta vida amargurada
Nenhum se compara a ti
Ó doce Ponta Delgada”

Agora fiquei nostálgica. (Vou ter de ir ao dicionário resolver isto.)

James


By: Mark Tonra

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

XV

Beber-te! como bebo o ar da vida...
E como bebo a luz do sol doirado...
E a poesia do templo consagrado...
E o consolo no olhar da mãe querida...

Como bebo nos livros do saber
A palavra dos Deuses, e o segredo
Da existência nas folhas do arvoredo...
E em longas noites de cruel sofrer...

Como bebe no cálix o Deus-vivo
Quem o não sente andar dentro de si...
Como eu nesses teus olhos já bebi
A água que hei-de beber enquanto vivo!


Antero de Quental, Primaveras Românticas

Certas palavras

Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não divinha nem alcança.


Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos

E tudo proibido. Então, falamos.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Amor é bicho instruído

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Carlos Drummond de Andrade

...

Muitas vezes procuro essa mão
Muitas vezes tive-a perto de mim
Recordo a mão
Sei que se estender a minha a tua estará ali.

Ode ao gato

Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.

Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma só coisa
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.

Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
seguramente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.

Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de puro.

Pablo Neruda

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples,
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se ousava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Chico Buarque de Holanda e Vinícius de Moraes



Proposta de Vinícius de Moraes

VALSA HIPPIE
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um modo mais quente do que comumente costumava olhar
E não falou mal da poesia como era mania sua de falar
E nem deixou-a só num canto; pra seu grande espanto disse:
Vamos nos amar

Aí ela se recordou do tempo em que saíam para namorar
E pôs seu vestido dourado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como a gente antiga costumava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a bailar

E logo toda a vizinhança ao som daquela dança foi e despertou
E veio para a praça escura, e muita gente jura que se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz.

Vinicius de Moraes
Fonte: Livro Achados de Caique Botkay, Editora Nova Fronteira

Veja ainda a resposta de Chico Buarque de Holanda

In: http://chicobuarque.uol.com.br/construcao/mestre.asp?pg=notas/n_valsinha1.htm

sábado, fevereiro 09, 2008

Cidade

Cidade, rumor e vaivem sem paz das ruas
Ó vida suja, hostil, inultilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planices mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.



In: ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra poética I

O Crime

Quem não é filho de Caim?
Abel não deixou filhos.
Mas em Caim, havia Abel.
E somos todos
A vítima e o carrasco
No mesmo ser...
A criatura e o criador
Na mesma fera,
O pecado e o remorso
No mesmo Deus.

In: PASCOAES, Teixeira de, Últimos Versos, p.16

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Pausa para café

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.














Sabe bem, não sabe?!

Aqui nada falta, até os meus amigos cá estão.

Claro, Casa Marisca é o que está a dar.

Casa Marisca Restaurante - Cervejaria

Estava um lindo dia de chuva, alguma humidade e frio (a parte do frio foi para disfarçar, mas quente não estava). Andávamos nós tentar saber onde iríamos almoçar quando um afirmou haver uns restaurantes na rua de baixo. Assim, optamos por um restaurante que alguém se lembrou como sendo próximo e até nada mau.
- Come-se bem. – Dizia um.
- Sim, também já lá estive uma vez. – Retorqui eu ao chegarmos mais perto.
A chuva continuava intensa, mas lá entramos e fomos sentar a uma mesinha que se encontrava com o letreiro de “Reservada”. Claro que quem nos indicou a tal mesa foi lá o senhor que andava a orientar o serviço à mesa.

Devoramos as entradas, fizemos os nossos pedidos e deliciámo-nos com o que comemos, exceptuando-se aquelas duas almas que não tinham pedido o arroz de lapas.

De repente um de nós disse:
- Parece-me que se pode fumar na parte debaixo deste restaurante.
Fiquei logo em pulgas, e certifiquei da veracidade da afirmação junto do que andava a servir às mesas e logo decidi que iria tomar o café de final de refeição naquele espaço maravilhoso. Imagine-se que até tem acesso por uma escada interior.

Lá descemos. Ao iniciar a minha descida comecei a inalar um cheiro familiar. Sim, sim, era o perfume tão doce e característico daquelas folhas de tabaco.

Sentamo-nos à mesa, novamente, e foram servidos os cafés. Estava tudo com um ar de satisfação indescritível. Bebemos café e fartamo-nos de fumar (pelo menos eu).

Seguiu-se uma sessão fotográfica, mas as imagens não ficaram muito boas devido à comoção em que nos encontrávamos.










O grupo.











A vítima...


Só vos digo, a Casa Marisca passou a ser um lugar de culto para esta humilde fumadora.










O espaço interior.











Adoro autocolantes Azuis.

Aqui vos deixo o endereço para que mais facilmente possam chegar a este local de culto:


Rua Engenheiro José Cordeiro 125
9500-311 PONTA DELGADA
São Pedro
São Miguel
Açores


Telefone
296382780

sábado, janeiro 12, 2008

750€

Ora, mais uma semana que passou e nada de novo.
Assim fica difícil de se escrever seja o que for. Pese embora algumas “coisitas” pelo mundo, “coisitas” também nada de novas. Deviam mas era inovar. Até estou a pensar aqui numas coisas bem giras, mas bem giras mesmo.
Então vejamos, é preciso algo de novo. Assim, tipo algo diferente. Estou aqui a pensar naquilo que gostaria que o meu país fosse diferente.
Reflectindo, nos EUA e no Canadá é proibido o fumo, certo? Então, para não estarmos aqui a fazer sempre o que todos os outros fazem, com a agravante de se fazer anos de luz mais tarde, deveríamos era permitir o fumo por todo o lado. É que vendo bem as coisas já o permitimos, é vê-lo a sair todo feliz pelos tubos de escape dos nossos “pópós”, carrinhos, autocarros e semoventes afins, é vê-lo dançando o tango pelas chaminés das nossas indústrias transformadoras, é vê-lo no Verão em toda a sua magnitude durante e após um grande incêndio (pois, o incêndio tem é de ser grande, caso contrário seria apenas uma mísera fumaça).
Se assim é, que mal tem o “fuminho” de um “cigarrito” (seja ele de que marca for).
Vá, digam lá, que mal tem?
Só de pensar nas coisas maravilhosas que se fazem com o “fuminho” de um “cigarrinho” até fico arrepiada. É ver fazer círculos, todos muito lindos e perfeitos, depois passar um outro “fuminho” por entre esse círculo.
E fumar em grupo.
Possa, isto até é que é mesmo delirante, é a partilha, a dádiva de um para o outro daquilo que é tanto dos pulmões de cada qual. A isto é o que chamo de verdadeira harmonia entre os pares. Sim, sim, harmonia. Qualquer fumador vendo outro fumador é capaz de partilhar aquela coisa mais linda com o outro, nem que seja o “fuminho” dele.
E sabem o que ainda é bem melhor? Sabem?
É a dança dos isqueiros, “Olha dás-me lume?” e é ver isqueiros todos felizes a saírem das carteiras e dos bolsos todos eles muito animados.
Pára tudo (inclusive eu).
O Jorge Palma está lixado.
Que cena!
Como é que ele agora irá cantar a coisa do “dá-me lume”?
"- São 750€ meu senhor."

segunda-feira, janeiro 07, 2008

A tradição

Hoje, lá no local de trabalho, vieram ter comigo com uma conversa do género:
- Nós por cá temos uma tradição... realizamos um sorteio anual, assim a seguir ao dia de Reis, no qual sai a “sorte” a alguém que no próximo ano terá de comprar um Bolo Rei.
De seguida, continuou:
- Colocamos umas rifas e todos tiram uma, depois a quem sair a rifa premiada compra o tal bolo.
Achei interessante, até que sou um pouco pela continuidade das tradições instituídas, e nem as questiono muito.
Bem, já se está a ver que aceitei a tal coisa da rifa e das sortes, mas antes questionei o porquê de nunca o terem perguntado, atendendo que por ali ando desde 2003. Mas, enfim, segui adiante e não questionei mais.

Passaram-se algumas horas e estava eu ao telefone quando apareceu uma “cabecita” à porta do meu gabinete tipo a querer dizer que iriam dar início ao processo. Bem, eu estava ao telefone e nele continuei. O tempo prosseguiu e assim que tive oportunidade lá me dirigi ao tal gabinete onde seriam tiradas as tais sortes. Para meu espanto, no envelope das rifas só restava uma. Sim, apenas uma, a minha. E para meu maior espanto era a rifa premiada.
Fiquei surpresa, em toda a minha vida jamais me havia saído algo numa rifa e logo hoje tinha algo escrito naquele pequeno papel enrolado (se bem que tenho de confessar que nunca comprei uma dessas coisas embrulhadas).
Para não alongar mais isto, o facto (ou fato) é que no próximo ano terei de comprar o tal Bolo Rei. Porém, ainda subsiste em mim uma dúvida existencial: saiu-me mesmo aquela coisa das sortes, ou estarei a sonhar?!

Bem, lá terei de fazer manter a tradição, mas penso que depois do meu bolo jamais irão querer que a tradição passe pelas sortes.

Facto ou fato, ou como queiram...

Vim arejar, abrir uma janela e deixar entrar um pouco do frio do Inverno.
Não consigo saber o porquê de não vir aqui desde o ano passado (vá, assim fica a parecer que não coloco os dedos por estas bandas há muito tempo – confesso que agora até fiquei arrepiada.).

Não sei bem o que escrever, poderia até tentar algo diferente...
Sei lá...
Talvez o pino (elemento artístico que coloca as mãos no solo e os pés no ar).
Sim, poderia fazer o pino e depois tentar equilibrar-me numa mão apenas, correndo o enorme risco de me estatelar em cheio no chão (“cair toda junta” – expressão que me amassa a alma quando ouço).
Mas não, o melhor é não tentar isso, com a agravante de que teria de ter um adulto por perto caso intentasse em tal aventura.

Estou com algumas dúvidas. Acho que até não estou a gostar muito disso.
Ah! Lembrei-me de uma coisa muito importante. Lembrei da Camila, não perguntem porquê, mas agora lembrei dela, mais informo que julgo que esteja de saúde e rodeada pelos filhotes.

Será que com o novo acordo ortográfico algumas das minhas palavras passarão a fazer sentido? (mais uma dúvida).

O melhor é deixar isto aqui por aqui mesmo, não estou a escrever coisa com coisa, e “a não sei das quantas não bate com a perdigota” (é o que digo – FUI).

terça-feira, dezembro 18, 2007

...




Em tons de negro
Ao som do vento
Em sabores de saudades
Na ânsia do querer
Sinto a noite entrar em mim

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Só porque é nesta quadra

E agora não é para dizer que só estou a pensar nas prendas.

Já agora, permitam-me que vos chame atenção ali para a lesminha, perto da àrvore, assim onde começa a sombra, no canto inferior direito. Mais informo que a mesma possui uma botija de àgua quente, um cachecol e um gorro que lhe cobre os seus pequenos olhos.

[devido a problemas de ordem técnica foi retirada a linda àvore de natal que aqui se encontrava, e, com ela, a lesminha decidiu emigrar para um país nos trópicos.]

sábado, dezembro 08, 2007

Estudo sobre o mar

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Foto by: eu mesma

sábado, dezembro 01, 2007

Flor

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Foto by: eu mesma

segunda-feira, novembro 26, 2007

Sete Cidades

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Foto by : eu mesma

domingo, novembro 25, 2007

O prometido é devido

Havia prometido trazer aqui algo muito interessante que existe na minha linda cidade de Ponta Delgada.

Era uma vez uma rua muito, mas muito, estreita, com passeios muito, mas muito, minúsculos.

Um dia essa rua começou a ver uma parte do seu passeio a tomar conta da rua. Pensaram todos que por lá passavam, durante tal intervenção:
– É desta que teremos aqui uns passeios mais largos. Passeios que nos permitam manter os dois pés fora da rua.

Porém, assim como quem não tá mesmo nada a prever, começa a surgir algo de estranho naquele alargamento do passeio. Pensaram agora todos os condutores que por lá passavam:
– É bem, vão colocar mais uns parquímetros por aqui. – e, aborrecidos, com mais uma máquina daquelas a povoar as ruas da nossa Ponta Delgada, prosseguiam caminho.

Todavia, vai que de um momento para o outro, surge algo assim para o “grandote”, preto, parecia nem sei bem o quê. Todos que por aquela rua passavam interrogavam-se:
– Mas que vem a ser isto? Que vem a ser isto?

E assim, como se de algo muito básico se tratasse ouviu-se alguém murmurar:
– É arte, é a arte meus amigos. Arte para vos entrar pelos olhos e esbarrarem nela.






















Agora um exercício muito oportuno.

Imaginem que não conseguem ver. Sim, cegos mesmo, não os distraidos.

Imaginem lá, rua estreita, passeio esguio, passeio um pouco mais largo, vaso de flores, objecto não identificado pelo meio, mais um vaso de flores, passeio novamente esquio.

Certo que para um invisual é já bastante difícil percorrer as lindas ruas estreitas da minha linda cidade. Contudo, mais certo é que obstáculos como estes jamais deveriam ser colocados num passeio, mesmo sendo “obras de arte”.

Para concluir, e na tentativa de vos dar a conhecer o autor de tal escultura, capturei aquilo que julgo se a sua assinatura (julgo que deve ser a digital, pois não percebi nada da suposta inscrição que lá está).













Fotos by: eu mesma

sexta-feira, novembro 23, 2007

Vamos reflectir


Ora, um dia fui às compras ao sítio do costume (meia a dormir como seria de esperar). Lembrei-me que deveria ir ao primeiro andar quando, de repente, encontrei algo que me deixou confusa. Não estava à espera, mesmo nada à espera, daquelas duas coisas no início da escada rolante.

Primeiro pensei que seria uma escultura nova que haviam colocado lá naquele sítio, a ver se o pessoal começa a olhar para a arte de frente (parecida a uma que se encontra na nossa linda cidade de Ponta Delgada, num passeio minúsculo e que nada mais é um obstáculo a quem passa – um dia destes dedico um post a essa escultura). Claro que essa ideia até me entusiasmava, mas... qual não foi o meu espanto ao ver que afinal aquilo servia era para evitar que o pessoal suba as escadas rolantes com os carros das compras, ou, pior ainda, com os carrinhos de bebés (“vá-se lá” saber se também levariam os bebés dentro).

Facto é que subi as escadas sempre a pensar em naquilo.
Possa - dizia para comigo - será que era mesmo preciso colocar aquelas duas barras ali? E continuei a pensar até chegar ao sitio do “cafezito”. (Já vos disse que sou viciada em café?) Sim, fui para o café, pois a vontade de ir às compras no piso superior passou-me. Afinal eu já estava acordada.

Depois cheguei a uma conclusão, pois, realmente, para colocarem aquilo ali é por ter havido com regularidade quem andasse com os tais veículos de rodas nas mesmas.

É deprimente saber que existe quem coloque a sua vida, e, pior ainda, a vida dos outros em perigo num local público e movimentado como aquele.

Gerência do meu sitio habitual de compras agradeço-te com todas as forças das minhas entranhas, e mais, acho que poderiam ter feito algum lucro se tivessem aplicado uma caução a quem se atrevia a fazer tal escalagem.

Que Deus me dê muita saúde nos pulmões para que eu continue a fumar muito (não tem nada a ver mas apeteceu-me).



quarta-feira, novembro 21, 2007

Camila e a palheta azul

Tinha estado uma noite horrorosa, chuvas tremendas, vendavais que só os marinheiros portugueses conheceram. O dia, também não foi melhor, agora a diferença era que estava claro, mas continuava a chuva e o vento.

Estava eu a sair de casa de carro, aí cerca das 21h, quando, de repente, olho para o espelho direito do carro e, qual não é o meu espanto, vejo Camila a iniciar-se numa nova aventura. Dependurada, esvoaçante encontrava-se Camila nos seus primeiros passos de aranha voadora, cabelos ao vento, em risco de partir uma das pernitas.

Confesso que me assustei, estarreci, estremeci com tal visão. Vi Camila pendura por um mísero fio da sua linda teia.
Parei o carro. Agarrei numa palheta azul que tenho próxima do relógio da viatura, abri a janela e coloquei Camila de volta no espelho.

Depois do susto, chegou a hora do ralhamento, contudo, ela ignorou-me, virou as costas e nem agradeceu o salvamento.

Realmente não sei o que faça com Camila.
Facto é que adoro aquela super-aranha.


P.S. : Para mais informações sobre a Camila consulte “post” antigo.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Carta ao pai natal

Querido pai natal, como tens passado depois destes meses de hibernação?
Espero, sinceramente, que esse descanso imenso tenha-te feito renascer.
Confesso que senti a tua falta ao longo do ano.
A verdade é que me fazes muita falta.

Sabes, ainda interrogo-me do porquê de te ausentares durante tanto tempo e de nunca ter conseguido ver essas tuas barbas (que dizem ser brancas).

Mas não é por isso que te estou a escrever.

Como tu sabes o Natal aproxima-se e não quero correr o risco desta mensagem chegar atrasada. Vá que os carteiros lembram-se de fazer greve novamente? Era uma chatice, não era? Entraria, de certeza, num período de depressão pior do que aquela a que chamam de pós-parto. A minha seria mais pós-presente-algum.
Isto seria uma calamidade.

Olha, pai natal, queria dizer-te que me portei muito bem este ano, mas mesmo muito bem. Ora vê lá tu, quando era mesmo para me portar mal, assim com motivos mais que suficiente para me portar mal, e olha que até o menino Jesus se portaria mal se estivesse perante tais motivos, a verdade é que me portei bem, e tu bem sabes como isso antes era bem complicado para mim.

Bem, passemos a diante, às coisas que realmente importam. Estou a escrever-te estas linhas pois vi algo muito giro, que até penso que deverias ter. Assim, uma coisa muito gira que é fundamental para a vida de hoje em dia. Pois, pai natal, tu sabes bem que controlar o tempo é fundamental na azáfama a que estamos sujeitos. Vai daí que, ao ver tal coisa, achei que deveria dizer-te que é essa coisa que gostaria de ter como presente de natal. Porém, e presta atenção se faz favor, não podes começar a pensar no custo benefício da coisa, deverás antes pensar apenas no benefício, que é o que realmente importa, ou seja, a contagem e controlo do tempo.

E antes de acabar vou deixar-te aqui uma imagem da coisa em si para que não tenhas qualquer dúvida e não te enganes com algo que julgues ser parecido.



Agora não me lembro de mais nada, por isso vou acabando com estas linhas.

Um grande beijo, desta tua crente.

P.S.: Não te esqueças da parte do benefício.

sábado, novembro 17, 2007

Hoje é Sábado

Fui matar o bicho ali na varanda e comecei a pensar sobre o que havia feito até àquele momento.
Sim, por que hoje é Sábado é fundamental fazer um balanço sobre a semana, os dias em geral. E não é que dou por mim a pensar no dia de hoje. Apenas no de hoje.
Certo que de manhã fui ao Mercado (Safari Tropical), confesso que ainda meia a dormir, pois, deitei-me hoje (sim hoje de madrugada, já passava das 3h am – e não me perguntem o porquê). Aquele movimento estava a dar-me a volta à cabeça. Claro que me dirigi apressadamente ao café lá do sitio, e vai do outro lado do balcão aquela voz maravilhosa a perguntar:
“- Café? Não é menina?”
Aquilo foi música para os meus ouvidos. Sentir a máquina a triturar os grãos de café, depois aquele cheiro a encher-me a alma (a verdade é que tentei que o momento perdurasse) e, finalmente, o sabor, aquele doce sabor do café. Bebi-o e ao mesmo tempo fumei o cigarro da manhã que melhor me sabe (sim, pois aquele não foi o primeiro).
Agora sim, pensei eu.
Estou pronta.
Vamos lá ver as lagartas e os caracóis nas couves e nabiças e tentar não levar um deles para casa, pois não me apetece adoptar mais algum animal de estimação.

Por falar nisso. A Camila está de saúde e manda abraços a todos.

quinta-feira, novembro 15, 2007

5ª feira (É um bom título, certo? )

Queria deixar aqui algo de jeito hoje.

(Enquanto penso no que poderei escrever vou fumegando um cigarro.)

Hoje disseram-me: “Querida, tens de deixar de fumar!”
Fiquei a pensar em tais palavras.
1º “Querida” – mas a que carga de água sou querida para quem me disse isso?
2º “tens de deixar de fumar” – possa, porque haveria de deixar este vício? E há que convir que aquele verbo no imperativo não foi algo lá muito positivo.

Depois ainda acrescentaram, "... não é pelos outros mas por ti.”
Claro que tudo o que eu faço é primeiramente por mim, depois os outros, salvo raras excepções (julgo eu). Até penso que sou uma pessoa bastante egoísta, mas enfim sou assim.

Ahah! Lembrei-me agora da Gabriela - personagem de uma telenovela brasileira (não me recordo do nome) que povoou o ecran dos televisores portugueses durante meses.
“Eu nasci assim, eu cresci assim [...]" (o resto não me lembro, mas deve acabar, assim, do género: eu morri assim).

Vou acabar este meu cigarro e parar com os disparates.

segunda-feira, novembro 12, 2007

A ideia luminosa I

Estou um pouco preocupada. A verdade é que até estou assim um pouco mais do que um pouco, mas enfim, em frente.
Estas preocupações em vez de tenderem a desaparecer parecem que se agrupam transformando-se.
Hoje soube que vão fechar ao transito uma rua por onde passo todos os dias, pior, mas muito pior, foi saber que será durante cerca de 4 meses (e conhecendo como conheço os 4 meses previstos...).
É certo que há obras que se têm de fazer, mais que certo, até acho que se deveriam fazer muitas mais. Só que me parece um pouco ilógico realizá-las quando se aproxima o inverno (que como se sabe aqui nas ilhas não é nada chuvoso).
Ora vejamos, já estive a elaborar os percursos alternativos.
Pensei e voltei a pensar, e passei-me. Afinal estes percursos alternativos até não são maus, mas depois tive de contabilizar o tempo a ver qual seria a melhor solução.
Claro que ainda tentei verificar a distancia, mas como neste momento é o que menos importa, dediquei-me ao tempo.
Cheguei à brilhante conclusão que afinal vou ter é de alterar, e em muito, a hora que tenho de sair de casa. Mudar a hora de saída não é mau, não senhora. Agora resta saber se saio mais cedo ou mais tarde. Se sair mais cedo apanho as filas de transito, esta é uma garantia. Se sair mais tarde chegarei mais tarde ao local de trabalho.
Confesso que continuei a pensar.
Coloquei a hipótese de dormir no local de trabalho, mas esta nem é muito viável. Imagine-se lá a trabalheira que seria mudar as “coisitas” para lá!?
Logo eu que ainda nem fiz a minha mudança de casa. Sim, pois comprei um apartamento e ainda só lá estão os móveis e os electrodomésticos, e note-se que fiz tal aquisição no passado mês de Agosto ( Ok. Eu sei. Não é normal. Mas esta minha forma de ser ficará para outro post.)
Para acabar com esta conversa toda, e relativamente à minha grande preocupação, vou é ter de dormir sobre o assunto e esperar que a minha presidente de câmara não tenha mais nenhuma ideia luminosa.

A ideia luminosa

Não é que me inventaram de colocar uns sinais luminosos num cruzamento perto da rua de Sant’Ana?! (nem sei o nome da outra rua) Quando vi aquilo pensei que era a nova iluminação para as festas que se aproximam. Mas, depois vim a saber que afinal aquilo é por causa dos carros que teimam por lá passar.
E porque não escolhem outra rua? Ah?
Bem, na verdade não é por causa do transito, mas sim devido às brilhantes cabeças que decidem alterar os sentidos das ruas e colocar semáforos onde bem entendem.
Claro que logo se vê que não devem passar por ali, muito menos a conduzir.
O escoamento difícil do centro de Ponta Delgada jamais se deveu à falta de um semáforo naquela rua. Tornou-se complicado, sim, quando não se avaliou o impacto das tais alterações causariam.
Agora estou para aqui a pensar que gostaria muito mais que aquele semáforo fosse a nova iluminação de natal da minha querida Berta Cabral.

domingo, novembro 11, 2007

sábado, novembro 03, 2007

quinta-feira, novembro 01, 2007

domingo, outubro 28, 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

Estudo sobre o mar

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

2007

ondula meus sentidos
embriaga-me com teu cheiro
envolve-me com as tuas águas
deixa-me naufragar


Foto by: eu mesma

domingo, outubro 21, 2007

Lembrança na pele

Magia
euforia
regaço do meu cansaço
saudade eterna
fonte de vontade
amor
harmonia
descanso dos sentidos
porto seguro
abrigo
Magia
euforia
inquietação
força estonteante
lembrança cravada na pele e na alma

terça-feira, outubro 16, 2007

Livro Azul

"LIVRO AZUL
1. Termo que designa um conjunto de textos diplomáticos sobre uma determinada questão publicados por um governo para conhecimento do público, também denominado livro branco.

Nos Estados Unidos, “livro azul” refere-se a uma lista oficial de todas pessoas que trabalham no governo e também a uma publicação oficial: Biennal Register.

Na Grã-Bretanha o termo designa um relatório parlamentar publicado pelo governo britânico. O termo “livro azul” é também utilizado para referir um livro onde constam as pessoas consideradas proeminentes na sociedade.

O Livro Azul, de Ludwig Wittgenstein, é um conjunto de notas filosóficas que o autor ditou aos seus alunos de Cambridge entre 1933-34 sobre questões de linguagem, de sentido e de interpretação. Foi designado assim devido à cor da capa. (O mesmo autor escreveu ainda O Livro Castanho, obra mais completa onde desenvolve as ideias apresentadas anteriormente e apresenta novas questões.)

2. O termo designa ainda um caderno azul, cujo interior está em branco, utilizado nas universidades para a redacção das respostas às questões de um exame."

Isabel Galucho
In: http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/L/livro_azul.htm (20071016)

sábado, outubro 13, 2007

Metade

... sou metade algo
fica sempre algo por dizer.
palavras soltas
desencontradas
aninhadas a um canto
à espera de aparecer
... sou metade algo
memória gasta
vitória menos conseguida
meio caminho percorrido
e a vontade de correr
... sou metade algo
estranha inquietude...

Estudo sobre a pedra

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

2006
Foto by: eu mesma

quinta-feira, outubro 11, 2007

Camila

anda de um lado para o outro
de cima para baixo
da esquerda para a direita
passa horas
horas sem fim naquilo
fio para um lado
fio para o outro
prende aqui
prende ali
incansável
debate-se com o vento
a chuva
o frio
desafia as forças da natureza
da gravidade
destemida
dotada de uma precisão divina
refaz, diariamente, a sua teia

Camila é a aranha que habita o espelho retrovisor esquerdo do meu carro.
(A fotografia dela ficará para mais tarde - não é fácil, mas ainda não desisti.)

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Estudo sobre o mar

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


2006

Foto by: eu mesma

...

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


2006

Foto by: eu mesma

Ilha da Madeira

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Ilha da Madeira
2006

Foto by: eu mesma

terça-feira, outubro 09, 2007

...

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

2003
Foto by: eu mesma

...

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

2003

Foto by: eu mesma

Flor

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

2003

Foto by: eu mesma

...

eram tuas as palavras que sinto minhas...

sinto escurecer a noite...

um corvo entoa melodias que desconheço

sábado, outubro 06, 2007

...

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.



2003
Foto by: eu mesma